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Mulheres

Mulheres: Em Busca da Feminilidade Perdida

Postado Por: Cintia Lima em 8 de março de 2016.


Em Busca da Feminilidade Perdida

Na semana do dia internacional da mulher, uma reflexão sobre o resgate da feminilidade após elas terem conquistado sua independência e se firmado no mercado de trabalhoO que é ser feminina? Faça essa pergunta para homens e mulheres e receberá as mais diversas respostas. Mas quase todos concordam que é muito mais uma questão de atitude que de aparência. No mínimo, um mix das duas coisas.

E, embora esteja no DNA da mulher, não é assim tão simples. A vida atribulada, em que precisamos nos equilibrar entre os diversos papéis, e a exigência de uma postura profissional mais séria muitas vezes atropelam o lado mais sensível e intuitivo da natureza feminina.

A entrada no mercado de trabalho foi um momento decisivo de mudança de comportamento. Para competir em um mundo até então totalmente dominado pelos homens e fazer frente ao preconceito, elas foram obrigadas a abrir mão de sua essência. Até mesmo a moda refletiu esse movimento. “Nos anos 1980, o uso de ombreiras, a moda yuppie, refletiram essa masculinização”, analisa Priscila Sottomaior, professora de História da Moda do Centro Europeu e do Senac.

No século 21, lembra Priscila, a postura mudou e as mulheres conseguiram se impor. Vestidos, saias e acessórios para lá de femininos estão aí para provar. “Hoje a mulher pode ser feminina até mesmo no trabalho. Já está inserida no mercado, não precisa provar mais nada para ninguém.”

A empresária Fernanda Pauliv, que dá cursos de sensualidade para mulheres, percebe uma mudança de perfil. “Elas tinham medo de serem julgadas, desvalorizadas pelos seus atributos físicos. Eu via muitas mulheres realizadas profissionalmente, mas tolhidas na sua vida pessoal”, diz a sócia do site Joanah Pink. “Hoje elas estão mais exigentes com sua sexualidade, em seus relacionamentos, voltaram a usar salto, saia, um vestuário mais leve. Tudo parece convergir para o resgate do feminino.”

A publicitária Ana Carolina Barreto, 37 anos, começou essa “operação” pouco antes de se separar. “Minha geração ficou em um buraco, sofreu com relação às nossas mães, que passaram pela liberação, mas não sabiam o que fazer com isso. Eu saí da casa dos meus pais para casar. Hoje eu falo para a minha filha (de 12 anos) que se valorize e pense sempre no que ela gosta.”

Encontro

Não é à toa que cursos como o de Fernanda e aulas de danças sensuais estão sendo cada vez mais procurados. “Há cinco anos, meu público era de jovens atrás de uma coisa exótica. Hoje mudou esse perfil. São mulheres buscando resgatar a feminilidade perdida por causa da vida corrida”, conta a professora de dança do ventre Suzi Ribeiro, proprietária do Estúdio Flor de Lótus.

Foi o caso da hoje também professora de dança do ventre Ellen Hadiyah, 44 anos. Casada, com duas filhas, ela entrou em depressão após o nascimento da mais nova. Na época, Ellen era esteticista e depiladora. Encontrou-se tanto nas aulas de dança do ventre que mudou de profissão. “O primeiro ponto que a dança toca é a autoestima. É uma massagem no ego. Me sinto bem, mais feminina, mais viva.” A transformação de Ellen fez bem também ao seu casamento. “Meu marido é o meu maior incentivador. Ele sentia minha alegria quando chegava em casa depois das aulas, minha empolgação.”

Aparência

O que a dança obriga a fazer é olhar para si mesma. Só assim alguém pode se encontrar, entender seus sentimentos e encontrar a sua essência. “A mulher se torna feminina quando está bem consigo mesma, quando não passa por cima das suas emoções”, afirma a psicóloga e filósofa Alba Regina Bonotto. Mais uma vez, questão de comportamento.

Mas é impossível falar de feminilidade sem tocar na questão da aparência. “Não sei se faz parte do feminino ou da cultura. Mas é bem fácil associar mulheres que se cuidam ao bem-estar e as descuidadas à depressão”, diz a psicóloga. Não que não adoremos os momentos de preguiça, largadas no sofá com aquela roupa larga e cabelos desalinhados. “É um hobbie das mulheres. Mas por uma escolha, por um momento. O tempo todo, é depressão”, alerta.

Para a antropóloga Mirian Goldenberg, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora do livro O Corpo como Capital, as brasileiras pensam na aparência o tempo todo. “No Brasil o corpo é riqueza, é capital. É onde a mulher mais investe”, diz, lembrando do grande mercado de beleza que há no país. “E ai da mulher que não investir. É acusada de ser desleixada, pouco feminina. É como se a aparência falasse de outras coisas que não são só aparência.”

Para ela, a mulher brasileira é muito feminina. “Mesmo quando acha que não é. Está muito no nosso movimento do corpo, no jeito de andar, de sorrir.”

Ponto para as mulheres? Nem tanto. O culto ao corpo causa sofrimento. “A não aceitação do envelhecimento, das imperfeições, é uma cultura que gera muita infelicidade”, afirma a antropóloga. A libertação vem tarde. “Quanto mais velhas, as mulheres são mais felizes, porque deixam de se preocupar com a aparência. Começam aos 50 anos. Aos 60 estão ótimas. Aos 75, maravilhosas. E todas acham uma pena, que poderiam ter descoberto isso mais cedo.”

Fonte – Gazeta do Povo



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